Por que empresas de transporte devem investir na comunicação em concessões públicas

comunicação em concessões públicas

A comunicação em concessões públicas é um ponto essencial para qualquer empresa que atua no setor de transportes. Concessionárias de rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e sistemas urbanos de mobilidade lidam com serviços que afetam diretamente o dia a dia das pessoas.  Por isso, informar com clareza, ouvir a sociedade e prestar contas são atitudes que fazem parte da operação. As concessões públicas são acordos firmados entre o governo e empresas privadas para que estas possam operar e investir em infraestruturas de transporte por um período determinado.  Esses contratos preveem metas, indicadores de qualidade e responsabilidade com o serviço prestado.  Mas, além de cumprir o que está no papel, as empresas precisam mostrar o que estão fazendo — e isso passa por uma boa estratégia de comunicação. A opinião pública tem cada vez mais peso nos resultados e na imagem das concessionárias. Quando a população não entende o que está acontecendo — seja uma obra, um reajuste ou uma mudança de rota — surgem dúvidas, críticas e até crises.  Já a transparência e o diálogo ajudam a criar um ambiente de confiança com usuários, imprensa, órgãos públicos e comunidades locais. É nesse cenário que a comunicação se torna um diferencial competitivo. Empresas que se posicionam de forma clara, acessível e próxima ganham reputação, apoio e espaço no debate público.  Isso faz diferença não só na operação do dia a dia, mas também na hora de disputar novos contratos e conquistar o reconhecimento do setor. Neste artigo, vamos mostrar por que a comunicação em concessões públicas deve estar no centro da estratégia das empresas de transporte — e como ela pode gerar valor real para a sociedade, fortalecer a marca e evitar crises desnecessárias. Comunicação em Concessões públicas e o contexto brasileiro As concessões públicas de transporte se tornaram um dos principais caminhos para ampliar e modernizar a infraestrutura no Brasil. Desde a Lei 8.987/1995, o país passou a transferir à iniciativa privada a gestão de rodovias, aeroportos, ferrovias e portos, por meio de contratos de longo prazo.  Essas concessões preveem metas de desempenho, investimentos obrigatórios e prestação de serviços essenciais à população — em um modelo que busca mais eficiência e menor custo para o Estado​. Atualmente, segundo a Confederação Nacional dos Transportes, o Brasil possui cerca de 17,5 mil quilômetros de rodovias sob gestão privada, o que corresponde a uma fração da malha rodoviária nacional, ainda majoritariamente pública. Mesmo com extensão menor, essas vias concentram investimentos significativamente mais altos por quilômetro.  Em 2024, o investimento médio das concessionárias foi de R$290,78 mil por km, superando o valor autorizado pelo governo federal, de R$270,68 mil por km. O impacto desses aportes se reflete diretamente na qualidade das estradas. De acordo com a mesma pesquisa, 69% da malha concedida foi classificada como “Ótima” ou “Boa”, enquanto apenas 24,7% das rodovias sob gestão pública alcançaram esse padrão.  Além disso, os contratos de concessão têm contribuído para a segurança viária: entre 2010 e 2021, houve uma redução de 61% no índice de mortalidade nas rodovias federais sob gestão privada. Nos aeroportos, o avanço também é expressivo. O governo federal pretende leiloar até 102 aeroportos regionais em 2025, sob o Programa de Investimentos Privados em Aeroportos Regionais (Ampliar).  Como parte das próximas etapas do programa de concessões, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deve realizar um novo leilão envolvendo cerca de 50 aeroportos localizados nas regiões Norte e Nordeste do país — áreas que ainda enfrentam grandes desafios de mobilidade.  Embora a data do edital ainda não tenha sido divulgada oficialmente, uma consulta pública foi realizada entre os dias 17 de janeiro e 17 de fevereiro deste ano.  As contribuições recebidas nesse período estão sendo analisadas e servirão de base para os ajustes finais que serão feitos pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPOR) no processo de concessão. As ferrovias também passaram por mudanças importantes. Além das concessões iniciadas nos anos 1990, a aprovação da Lei 14.273/2021 criou um novo modelo de autorizações ferroviárias.  Até o início de 2025, já são 27 contratos assinados pelo programa Pró Trilhos, com mais de 15 mil quilômetros de novas ferrovias planejadas e estimativa de R$180 bilhões em investimentos​. Já no setor portuário, a Lei 12.815/2013 modernizou as regras para arrendamentos e ampliou as possibilidades de atuação de terminais privados. Em 2022, a Codesa (Companhia Docas do Espírito Santo) tornou-se a primeira autoridade portuária totalmente privatizada, com R$855 milhões em investimentos previstos e R$106 milhões pagos em outorga. Esse panorama mostra que o Brasil avançou muito nas últimas décadas. Mas também revela a importância de um novo olhar sobre a comunicação: quanto maior o impacto dos projetos, maior a necessidade de informar, dialogar e prestar contas à sociedade de forma clara e acessível. Comunicação como estratégia de mitigação de riscos Comunicação e marketing não servem apenas para vender um produto ou serviço. Até porque, no contexto atual dos hábitos do consumidor moderno, as pessoas sentem desejo de se engajar com as empresas, na busca de um discurso humanizado e próximo de suas crenças pessoais.  Ou seja, a comunicação deve ser utilizada como ferramenta estratégica para diminuir os riscos e ruídos da mensagem que a empresa de transporte transmite para a população e aos agentes públicos.  Não sejamos hipócritas: é uma tarefa difícil. Nenhuma pessoa, em sã consciência, gosta que o trem atrase ou quebre, ou que haja acidentes graves na rede de ônibus ou VLT. Ainda assim, existem casos onde o depreciamento de imagem ocorre em nível ambiental, social ou até mesmo de segurança. Veja alguns dos exemplos mais notórios ocorridos ao redor do mundo.  Uber e a greve dos taxistas nos EUA Em janeiro de 2017, durante protestos contra uma ordem do governo Trump que barrava a entrada de refugiados e cidadãos de alguns países de maioria muçulmana nos EUA (conhecida como travel ban), houve uma greve de taxistas no aeroporto JFK em Nova York em solidariedade aos viajantes afetados.  Diferentemente de outras empresas, a Uber não aderiu ao protesto – pelo contrário, suspendeu seu preço dinâmico,